De volta ao cinema, Tartarugas ninja sofre com falta de humor

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Confira abaixo a crítica do filme Tartarugas Ninja – O Retorno feita por Jones Rossi do site G1:

É como transformar o Agente 86 em James Bond. Ou tirar as piadas do Homem-Aranha. Pois foi o mesmo que o diretor Kevin Munroe fez com a animação Tartarugas ninja – o retorno, que estréia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (13). As tartarugas, antes alegres e piadistas nos desenhos, quadrinhos e filmes das décadas de 80 e 90, agora são soturnas e pouco falantes.

Fenômeno pop na década de 80 e início de 90, as Tartarugas Ninja nasceram como uma revista em quadrinhos, em 1984, que fazia paródia dos trabalhos de Frank Miller e Jack Kirby, como Demolidor e Novos mutantes. Tanto que a origem delas está ligada ao acidente de Demolidor, que é atingido por substâncias radiativas quando salva um cego de ser atropelado.

Na paródia criada pela dupla Kevin Eastman e Peter Laid (Teenage mutant ninja turtles, no original), a substância escorre para os esgotos e causa mutações em quatro tartarugas e um rato. As tartarugas ganham nomes de pintores renascentistas – Michelangelo, Donatello, Rafael e Leonardo – e são loucas por pizza, enquanto o rato, que era mascote de um lutador de ninjitsu, se torna o mestre Splinter.

O mesmo espírito dos quadrinhos foi mantido na série animada e nos três filmes anteriores, nos quais as tartarugas eram interpretadas por atores vestidos com fantasias. Sinal dos novos tempos ou apenas opção do diretor, o fato é que a animação tem pouco dessa visão original. Saem de cena as piadas e confusões para darem lugar a cenas de ação e conflitos familiares.

Faltou “Cowabunga”

Neste filme, a história se passa vários anos depois do vilão Destruidor ser derrotado. Sem o arqui-inimigo por perto, cada tartaruga segue sua própria vida. Michelangelo anima festas de crianças (vestido como uma tartaruga!), Donatello trabalha com telemarketing, enquanto Rafael dorme o dia inteiro e à noite combate o crime sozinho. Leonardo, o líder do grupo, deixou Nova York e roda o mundo aperfeiçoando seu treinamento.

Quando Leonardo volta, Rafael não aceita sua liderança e os dois chegam a lutar entre si. Mas com a ameaça conduzida pelo industrial Max Winters, que tem um portal que se abre a cada três mil anos e é capaz de trazer monstros de volta à vida, o quarteto volta a se reunir, junto com April O’Neil e Casey Jones.

As cenas de ação são grandiosas e rápidas, como nos desenhos da década de 80 e 90. Mas ficou faltando humor, as piadas que as tartarugas proferiam a todo momento, e as tiradas visuais hilárias. Rafael tem uma única cena destinada a provocar risadas, quando enfrenta um pequeno demônio.

Uma clara indicação de que a animação se leva a sério demais é que o famoso grito de guerra do quarteto, “Cowabunga!”, aparece somente no início do filme. Michelangelo, o brincalhão da turma, tem quase menos espaço que Casey Jones, que nunca foi muito popular.

Nos Estados Unidos, por causa da violência de algumas cenas, o filme ganhou a classificação PG, que indica que algumas partes podem não ser adequadas para crianças. No Brasil, a classificação é livre.

1 COMMENT

  1. Isto acontece porque as tartarugas foram criadas com a idéia de entreterimento adulto em hqs no ano de 83. Depois compraram os direitos e fizeram um desenho para crianças de 87 a 90 e tb os filmes, tudo com teor infantil.

    A ideia deste filme animado é recuperar as tartarugas das hqs, mais sombrias e violentas e sem humor algum, que foi inventado para as crianças do desenho de 87.

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