Confira crítica do filme Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (site HQ Maniacs)

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Confira abaixo a crítica do filme Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado feita por Maurício Muniz do site HQ Maniacs.

Divertido e até emocionante, o novo filme está longe da perfeição, mas redime um pouco os erros do primeiro.

Ao contrário do que muita gente pode pensar, não é fácil fazer um filme de super-heróis. Conseguir transmitir para a tela todas as características e toda a mitologia de personagens que existiram por décadas nos quadrinhos, com seus dramas, conflitos e confrontos, pode ser um trabalho digno de Hércules. Mas, vamos ser sinceros, também não deve ser assim tão difícil, já que temos bons representantes do gênero pipocando cada vez mais no cinema nos últimos anos, como X-Men, Homem-Aranha, Hellboy, Superman – O Retorno e Batman Begins. Todos filmes legais e divertidos, que captaram a essência dos personagens e deixaram felizes tanto os leitores quanto o público que mal sabe o que são HQs.

Mas, sim, também existem aqueles fiascos deprimentes e insossos, marcados por uma falta de talento que nem os melhores efeitos especiais conseguem esconder, como Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Elektra, Mulher-Gato e mais alguns que nem merecem ser citados. Infelizmente, o primeiro filme do Quarteto Fantástico entrava na categoria das decepções.

Lançado em 2005, o filme era dirigido por Tim Story, que só tinha de mais chamativo no currículo seu trabalho em Táxi, uma comédia de ação tolinha, co-estrelada por Gisele Bündchen e massacrada pela crítica, que nem chegou a fazer grande sucesso. A origem mostrada na primeira aventura dos heróis já começava tomando algumas liberdades com a versão dos quadrinhos (até aí nada de mal, quando bem feito) e contava como Reed Richards, seu amigo Ben Grimm, os irmãos Susan e Johnny Storm e o calculista magnata Victor Von Doom são atingidos por raios cósmicos enquanto trabalham numa estação espacial, o que acaba conferindo a todos super-poderes. Logo os quatro primeiros tornavam-se estrelas da mídia e se juntavam para combater o perigo representado pelo último.

O problema é que o filme era bobo e simplista. Tudo bem que a intenção da Fox era criar um entretenimento para toda a família, o que quer dizer nada de violência ou imagens fortes, mas o filme e os personagens não tinham carisma nenhum, as cenas de ação não transmitiam a menor emoção, e o vilão era tão apático que causava indiferença no público. Salvavam-se algumas piadas e os efeitos visuais razoáveis. Contudo, o filme rendeu mais de três vezes o seu orçamento de 100 milhões de dólares e os produtores confirmaram que tinham em mãos uma nova franquia, como era sua esperança.

Um segundo filme era questão de tempo, mas a dúvida era se conseguiriam fazer algo melhor com o rico material criado por Stan Lee e Jack Kirby naquele que já foi o título de maior sucesso da Marvel.

A resposta, para sossego geral dos leitores de quadrinhos e do público em geral é positiva. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer) ainda tem algumas falhas, mas é muito superior ao filme anterior.

O Fim do Mundo
O filme começa com a destruição de um planeta longínquo e com a chegada de uma força misteriosa à Terra: um raio brilhante que, por onde passa, causa alterações ambientais e ainda por cima também é responsável por despertar o Dr. Destino, em animação suspensa (ou algo parecido) desde o filme anterior.

Enquanto esses eventos acontecem pelo mundo, Reed Richards (Ioan Gruffudd), o elástico Senhor Fantástico, e Sue Storm (Jessica Alba), a Mulher Invisível, fazem preparativos para seu casamento. Meio ao largo, mas aproveitando toda a fama que seus poderes trouxeram, estão Ben Grimm (Michael Chiklis), o Coisa; e Johnny Storm (Chris Evans), o Tocha Humana. Tudo vai bem até que o exército, de olho nas estranhas transformações climáticas e em crateras imensas que andam surgindo pelo planeta, convoca o Senhor Fantástico a construir um aparelho pra detectar a estranha presença que as causa. Como todo mundo que viu o trailer já sabe, o culpado por tudo é o Surfista Prateado (corpo de Doug Jones, de Hellboy O Labirinto do Fauno, e voz de Laurence Fishburne, o Morpheus de Matrix), que surge durante o casamento de Reed e Sue e leva o Tocha a persegui-lo pelos céus.

Com o apóio do exército do Tio Sam, os heróis assumem a missão de capturar o Surfista. Mas, para atrapalhar a equipe, desde seu encontro com o Surfista (batizado assim pelo Senhor Fantástico), o Tocha Humana adquire a indesejada habilidade de trocar de poderes com os outros membros da equipe ao menor contato físico. É uma situação que rende algumas piadas, mas acaba sendo responsável por um quase-desastre quando o Quarteto enfrenta o Surfista em Londres. É quando reaparece Victor Von Doom (Julian McMahon, ainda péssimo e apático), que afirma querer ajudar a capturar o ser intergalático que vem anunciando o fim do mundo. Mas, claro, Von Doom esconde de todos que seu verdadeiro plano é tentar controlar a prancha do Surfista e todo o seu poder. Ao final, enquanto Galactus, o devorador de mundos se aproxima da Terra, a única esperança reside na união do Quarteto Fantástico e do Surfista Prateado.

Ao custo oficial de 130 milhões de dólares, este segundo filme dos heróis já sai ganhando por ser mais movimentado que o primeiro. Ainda falta certa grandiosidade às cenas de ação, mas desta vez elas são mais elaboradas e emocionantes que as do anterior. As correrias também ajudam a disfarçar o roteiro ainda fraco mas, de longe, superior ao do primeiro filme. Há um grande número de piadas (talvez a melhor seja a que envolve Stan Lee), mas há também uma tentativa de aprofundar um pouco os personagens principais, mostrando algumas de suas inseguranças e preocupações. Aqui é melhor explorado o relacionamento familiar da equipe, um dos pontos fortes das histórias em quadrinhos.

Para alegria dos fãs, outros elementos dos quadrinhos são incorporados ao filme e usados de maneiras criativas e satisfatórias, como o Fantasticarro, a recepcionista Roberta e a futura namorada do Tocha, Frankie Raye. E até Alicia (Kerry Washington), a namorada cega do Coisa, tem mais a fazer e a dizer desta vez, dividindo um dos melhores diálogos do filme com Johnny Storm.

O que parece impedir que Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado seja um grande filme é o conceito de “filme para toda a família” que os produtores adotaram. É aquela velha história de mostrar grandes perigos e catástrofes nas quais não morre ninguém, lutas e confrontos com socos que não pareçam violentos demais e heróis que nunca matam os vilões, por mais que mereçam. Porém, desta vez o diretor parece tentar compensar essas limitações dando peso ao que lhe é permitido mostrar: as perseguições em alta velocidade, o uso criativo dos poderes dos personagens e as imagens impressionantes. É até surpreendente que a única morte que ocorre durante todo o filme seja até um tanto chocante (dentro dos limites permitidos para uma produção “censura livre”), mas o filme deixaria lembranças bem melhores se, por exemplo, a luta final fosse um pouco mais dramática e não abusasse da apressada edição de vídeo clip, que deixa tudo tão frenético que mal se percebe quando ela acaba. Em compensação, a imagem da nuvem que envolve Galactus se aproximando da Terra é impressionante e fica gravada na retina após o final do filme.

Como não poderia deixar de ser, o Surfista Prateado é a melhor coisa do filme. Suas imagens foram criadas a partir dos movimentos e expressão corporal de Doug Jones e isso dá vida e realismo ao ser espacial. Talvez o Surfista seja a mais perfeita transposição de um personagem dos quadrinhos para a tela, não apenas por seu corpo prateado ou pelas manobras aéreas que são marca registrada do personagem, mas também por seu conteúdo: a nobreza e o espírito heróico do Surfista também estão na tela. Ele realmente merece ganhar um filme próprio que, inclusive, já se encontra nos planos da Marvel.

No geral, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado é um filme bacana e que vale o ingresso. Se continuarem melhorando a cada filme, melhor para nós. Quem sabe o terceiro exemplar da série até venha a entrar na lista das grandes filmes tirados dos quadrinhos? Por enquanto, este aqui está bom assim: está longe da perfeição, mas diverte a contento. Um gibizão dos bons. E, por bem ou por mal, para toda a família.

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