Ragú: um bom exemplo do que esperar do quadrinho nacional

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É possível, sim, fazer quadrinho nacional de qualidade. Basta querer. É inevitável pensar algo assim após a leitura da última edição da Ragú (R$ 20), álbum que reúne histórias de diferentes autores brasileiros.

A obra foi lançada informalmente em Recife, Pernambuco, no começo de fevereiro. Chega agora às lojas especializadas em quadrinhos. Bem editado e, principalmente, bem escrito e desenhado, o álbum mostra uma série de 30 contos em quadrinhos, parte colorida, parte em preto-e-branco. São diferentes estilos, com diferentes conteúdos.

"Eu acho que essa é de longe a edição mais bem resolvida, tanto nas partes como no conjunto", diz por e-mail Christiano Mascaro (ou só Mascaro), 32 anos, o editor da obra. "O material dos colaboradores é de primeira. São trabalhos de expressão e conteúdo, cada qual na sua proposta."

A diversidade -aliada à qualidade- é um dos pontos altos deste sexto número da "Ragú", que foi criada entre 1999 e 2000. Há nomes famosos no mercado, como Osvaldo Pavanelli, Lelis, Guazzelli, Fabio Zimbres, Samuel Casal e o próprio Mascaro, que faz a capa da edição (sobre meninos de rua gigantes; é um conto à parte).

A edição traz também um "estranho no ninho", o alemão Hendrik Dorgathen, o único estrangeiro do grupo. Ele assina três histórias. "O contato com os colaboradores é via e-mail e telefone. Trocamos idéias sempre, gosto de falar com eles vez por outra", diz Mascaro, que divide a atividade com o cargo de editor de arte do "Diário de Pernambuco".

A história da Ragú, que não tem uma periodicidade certa, já passou por editoras de quadrinhos. Um dos número foi lançado pela Via Lettera. Esta edição volta à independência. Ou quase independência. A obra contou com um patrocinador e com verba da Lei de Incentivo Municipal à cultura, bancada pela prefeitura de Recife.

Fomento governamental à cultura e parceria entre autores têm sido a saída encontrada para publicar quadrinhos no Brasil. É o mesmo caminho da Front, editada pela Via Lettera, e de várias outras revistas independentes têm surgido recentemente. A Ragú é um bom parâmetro da qualidade que uma iniciativa assim pode atingir.

Fonte: Blog dos Quadrinhos