MAD chega ao fim. Pela terceira vez

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Publicada há 32 anos no Brasil, a revista MAD chega ao seu fim pela terceira vez. Foram nove anos pela editora Vecchi, 156 números pela Record e, agora, sete anos pela Mythos, que deixa de publicá-la para, possivelmente, deixar a missão para a Panini. Aparentemente detentora não só dos títulos de super-heróis da DC Comics, como também de tudo que a editora americana publica lá fora, a Panini deve assumir a MAD a partir de agora.

O fim é a revista de número 46, de dezembro, que só chegou às bancas agora, no finalzinho de janeiro. Ota, acreditem, ainda é o editor. Há 32 anos! No editorial, como sempre bem-humorado, ele diz: "Leitor é tudo igual, tudo chato, a única vantagem deles é que eles compram a revista e isso garantiu a mim esse minguado salário de Editor da MAD durante todos esse anos. Mais da metade da minha vida. O que me faz refletir: o que seria de mim sem a MAD? Ou o que seria da MAD sem mim? De que adiantaram todos esse anos de sacrifício? O que teria sido da minha carreira se a MAD nunca tivesse sido lançada? Acho que jamais saberemos, e talvez seja melhor ficarmos todos sem saber."

São apenas 36 páginas, mas ainda tem os clássicos: Don Martin, Aragonés, Spy Vs Spy (por Peter Kuper) e a dobradinha na terceira capa, claro. O mais engraçado, porém, é a folhinha em que descobrimos o que Jack Bauer, da série "24h", faz nos outros dias do mês.

Ota não diz se estará à frente da nova MAD, pela Panini, como adianta no editorial: "Ainda não me chamaram pra nova série, não sei se vão me chamar. É possível que me chamem, mas também é possível que não me chamem. É possível que eu aceite, mas também é possível que eu não aceite. Tudo é possível de acontecer, é possível até mesmo que eu esteja aqui no primeiro número da nova série como se nada tivesse acontecido." Enfim, não diz nada.

Comprando o último número da MAD, a R$ 5,90, o leitor ganha inteiramente grátis o número 3 da Eca! Magazine. São apenas 20 páginas, mas Ota promete mais a partir do próximo número, quando a revista ganhar carreira solo e, aparentemente, virar a MAD da editora Mythos. Ele diz ao Gibizada, no entanto, que os leitores são diferentes, enquanto a Eca! Magazine é mais voltada para um público adolescente, a MAD ainda era lida por pessoas um pouco mais velhas:

– Hoje em dia o público se renova muito rápido devido à queda abrupta no poder aquisitivo da classe média. Antigamente, as famílias tinham três, quatro filhos, um passava a revista para o outro. Os hábitos mudaram. Mas todo mundo já leu a MAD algum dia, por mais que me perguntassem espantados: a MAD ainda é publicada?! Quero um leitor que dure um pouco mais. E espero fazer da Eca! Magazine uma espécie de site de humor em revista, algo como o Kibe Loco em papel.

Além de Ota, cartunistas como Adão Iturrusgarai, Nani (autor do cartum abaixo, talvez o único da revista publicável neste espaço), Allan Sieber, Kemp, Chiquinha, Xalberto e Pupuca também fazem parte da equipe da Eca! Magazine. Mais uma revista com o selo de controle de qualidade do Código do Ota.

Fonte: Gibizada