Postado por
Júnior
em
22/07/07 Ã s 7:26 pm
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Categoria: Cinema, Críticas, Transformers| | Trackback URL | Permalink
Confira abaixo a cr?ca do filme Transformers feita pelo editor do site Cinema em Cena Pablo Villa?/strong>:
Transformers ![]()
Transformers  (2007)
Pablo Villa?(pablo@cinemaemcena.com.br)
Dirigido por Michael Bay. Com: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, John Turturro, Kevin Dunn, Bernie Mac, Julie White, Jon Voight e as vozes de Peter Cullen e Hugo Weaving.
Transformers ?ma experi?ia perfeita para quem sofre de d?cit de aten?: abusando dos efeitos sonoros e da m?a que se pretende grandiosa, o novo longa de Michael Bay emprega uma overdose de explos?no intuito de levar o espectador a acreditar que algo importante est?contecendo, quando, na realidade, seu prop?o ?implesmente o de manter o p?co acordado enquanto os produtores contam os d?es ganhos com a exposi? de marcas como General Motors, Nokia, Burger King, Xbox e in?as outras – e n?? toa que o filme aparentemente se recusa a terminar antes de atingir inchad?imos 144 minutos, transformando-se no mais longo an?o publicit?o que j?ui obrigado a testemunhar.
Escrito por Alex Kurtzman e Roberto Orci, o roteiro traz os personagens criados pela companhia de brinquedos Hasbro em uma disputa pelo planeta Terra: enquanto os nobres Autobots lutam para salvar nosso mundo, os cru? Decepticons pretendem escravizar os humanos e utilizar um poderoso cubo para criar novos rob?conhecido como “All Spark”, o tal cubo originou o planeta natal dos tais seres, Cybertron, que foi destru? numa guerra entre os dois grupos). A chave para encontrar o objeto, por? reside nos ?os do tatarav? jovem Sam Witwicky (LaBeouf), que, sem saber, j? “dono” de um Autobot designado para proteg?o. Enquanto tentam recuperar o cubo, os her?da hist? (alguns humanos gen?cos) devem tentar impedir que os Estados Unidos entrem em uma guerra contra a China, identificada erroneamente como a respons?l pelos incidentes provocados pelos Decepticons – numa trama claramente “inspirada” na segunda temporada da s?e 24.
Sempre demonstrando seu talento inigual?l para explodir coisas, o cineasta Michael Bay traz todo seu estilo “estou tendo um ataque epil?co” para o projeto, jamais criando um plano que dure mais do que 5 segundos ou um quadro que permane?fixo – o que impossibilita o p?co de compreender exatamente o que est?correndo nas seq?ias de a?, quando mal conseguimos enxergar os personagens ou o ambiente no qual tudo se passa (o m?mo que captamos ?ue X est?utando com Y, mas mesmo isto exige um esfor?consider?l). Da mesma forma, est?l?odos os elementos t?cos do arsenal de truques do diretor: o travelling circular; as c?ras lentas sem o menor prop?o narrativo; a fotografia que carrega no amarelo; a insist?ia nos ?ulos baixos que tentam engrandecer os her? e assim por diante.
Mas n???strong>Bay ?onsistente at?esmo naquilo que jamais aparece em seus trabalhos, como podemos constatar pela total falta de um desenvolvimento adequado dos personagens. ?a velha rotina: logo no in?o da proje?, um soldado diz que est?ouco para rever a m? enquanto outro diz que s?er conhecer a filha rec?nascida - para o diretor, ? que basta para que o espectador saiba quem s?aquelas pessoas, mesmo que estas criaturas sejam t?implaus?is quanto a analista bela e sempre maquiada que logo solta uma opini?sobre “DNA baseado em computador”. Igualmente absurda ? jovem beldade que, expert em mec?ca e com ficha na pol?a, ?ivida pela fraca Megan Fox que, consciente da pr?a beleza, faz o tipo “ninfeta sedutora” ao longo de toda a hist?, aparecendo em absolutamente todas as suas cenas com a boca semi-aberta – um estranho clich?e “interpreta?” empregado por toda atriz bonita e sem talento que ganha papel de destaque em uma superprodu?. Infelizmente, Transformers conta ainda com o chat?imo Anthony Anderson, que mais uma vez demonstra ser incapaz de tentar fazer gra?sem gritar o tempo inteiro, como se o volume substitu?e o timing c?o. E se Jon Voight parece perdido durante todo o filme, o jovem Shia LaBeouf diminui um pouco nosso sofrimento ao exibir imenso carisma e uma naturalidade surpreendente – mesmo que isto n?seja o bastante para tornar seu personagem mais real.
Investindo num tom desajeitado de com?a, Transformers freq?emente gasta um tempo precioso em gags que funcionam mal ou que fracassam totalmente, como a longa cena em que os Autobots se escondem no jardim de Sam ou a tentativa adolescente de fazer uma cr?ca a George W. Bush. Em contrapartida, ainda que a cena envolvendo um atendente terceirizado de uma companhia telef?a seja moderadamente divertida (a legendagem brasileira chega a incluir o gerundismo t?co destes profissionais), n?h?omo negar que ela soa fora do lugar na narrativa, servindo apenas para diluir inadequadamente a urg?ia do confronto que est?contecendo naquele momento. Da mesma maneira, se a participa? de Bernie Mac como um vendedor de carros provoca algumas risadas, a menininha que confunde um transformer com a fada dos dentes merece apenas o t?lo de “crian?mais burra do mundo”, j?ue, como esfor?c?o, ?m fracasso completo (e lamentavelmente o mesmo se aplica a John Turturro, cuja composi? exagerada chega a ser constrangedora).
Produzido com o intuito de alcan? tamb?um p?co mais jovem que possa aumentar a arrecada? nas bilheterias, Transformers evita mostrar mortes de forma ?a, o que diminui a for?de uma trama que gira justamente em torno de um confronto brutal entre v?os seres poderosos. Isto, ?laro, n?impede que Michael Bay demonstre o mesmo senso de humor doentio j?isto em Bad Boys 2 – s?e, em vez de usar cad?res como al?o c?o, desta vez ele tenta arrancar o riso com a imagem de um humano fr?l sendo arremessado violentamente para a morte certa por um peteleco do vil?Megatron. Ali? no restante do tempo o filme procura fingir que ningu?est?endo ferido: sim, podemos at?er um carro com passageiros sendo atirado longe por um rob?as em nenhum momento a narrativa se preocupa em reconhecer as baixas (provavelmente, na ordem de centenas ou mesmo milhares) entre os civis. Em vez disso, o diretor prefere fazer uma refer?ia egoc?rica a Armageddon, que dirigiu em 1998.
Seja como for, ?mposs?l deixar de reconhecer a efici?ia de Transformers quanto aos efeitos visuais: concebidos com uma aten? imensa para os detalhes (observem como o metal azulado na cabe?de Optimus Prime aparece sujo e arranhado), os rob?istos ao longo da proje? s?espetaculares, exibindo movimentos incrivelmente naturais – algo f?l de constatar na cena em que um dos Autobots, logo ao chegar ?erra, vira-se para ver se est?endo observado antes de se transformar. Lamentavelmente, o apuro visual dos personagens n?encontra reflexo em seus desenvolvimentos pelo roteiro: comportando-se e falando como humanos comuns (as piadinhas s?p?imas), os her?rob?os n?exibem peso dram?co algum, tornando a (dupla) tentativa de usar Bumblebee (o carro do mocinho) como protagonista de cenas mais emocionantes um esfor?que j?asce fracassado.
Mas n?poder?os esperar nada diferente de um roteiro que abandona a maior parte de suas subtramas pela metade – e por que investir tanto tempo no grupo de jovens hackers ou no secret?o de Defesa se estes ser?simplesmente esquecidos no terceiro ato? E por que os tais ?os s?apresentados como pe?importante da trama se, no final das contas, eles n?desempenham papel algum no resgate do tal cubo? E como Optimus Prime pode saber tanto sobre o que aconteceu com o tatarav? Sam? E por que Optimus Prime diz que vai partir se, na cena seguinte, surgir?izendo que a Terra ? novo lar dos transformers?
Chega a ser incr?l que, longo desse jeito, o filme n?encontre tempo sequer para amarrar suas pontas soltas. O mais prov?l, por? ?ue Michael Bay tenha julgado que n?ser?os capazes de notar todos os absurdos, j?ue estar?os encarando a tela com olhos emba?os, totalmente anestesiados pelo ataque brutal aos nossos sentidos.