Postado por
Júnior
em
29/06/07 Ã s 10:54 pm
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Categoria: Cinema, Críticas, Quarteto Fantástico 2| | Trackback URL | Permalink
Confira abaixo a cr?ca do filme Quarteto Fant?ico e o Surfista Prateado feita pelo editor do site Cinema em Cena Pablo Villa?/strong>:
Quarteto Fant?ico e o Surfista Prateado ![]()
Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer  (2007)
Pablo Villa?(pablo@cinemaemcena.com.br)
Dirigido por Tim Story. Com: Ioan Gruffud, Jessica Alba, Chris Evans, Michael Chiklis, Julian McMahon, Kerry Washington, Andre Braugher, Doug Jones, Beau Garrett, Brian Posehn, Kenneth Welsh e a voz de Laurence Fishburne.
3 vezes, confesso que sinto um terr?l cansa?ao me preparar para escrever sobre filmes como este. Qual ? objetivo de uma an?se cr?ca sobre Quarteto Fant?ico e o Surfista Prateado? Com dezenas de milh?de d?es investidos apenas em sua demolidora campanha publicit?a, esta continua? ?bsolutamente imune a criticas (positivas ou negativas) - e, com 13 anos de profiss? eu sei que boa parte do p?co que ler?ste texto j?er?ntrado no cinema com a opini?praticamente formada pelo hype: o filme ? m?mo! Assim, quando encontrarem, aqui, uma opini?divergente, ficar?possessos, me acusar?de esnobismo e dir?que “n?sou imparcial” (nunca fingi ser!); que “sou arrogante” (culpado!); ou que “j??sou mais o mesmo de antes” (duh!). J?assei por isso dezenas de vezes; basta revisitar os emails, posts em f?s e coment?os relacionados a cr?cas de obras como Impacto Profundo, Gladiador, Quarteto Fant?ico e outras porcarias afins que j?oram praticamente esquecidas por todos - e nem mesmo os poss?is defensores de Quarteto 2 seriam capazes de dizer que este ser?embrado daqui a, digamos, 10 anos, seriam?
Dito isso, por que escrever sobre o filme? Pelo puro exerc?o intelectual? Parcialmente, sim, mas tamb?porque sou um tremendo de um teimoso que acredita que a Cr?ca exerce o importante papel de oferecer um olhar mais “treinado” para que o espectador m?o possa dar in?o ao seu pr?o estudo sobre a Arte - e a melhor maneira para fazer isso ?iscutindo uma produ? amplamente vista, j?ue a observa? ?ais eficaz quando, obviamente, o objeto de estudo foi de fato contemplado por ambas as partes. Desta maneira, at?esmo bobagens descart?is como A Casa de Cera, Olga e Quarteto 2 podem acabar desempenhando alguma fun? mais importante do que a de simplesmente entupir os bolsos de seus mentalmente pregui?os produtores.
Feitas estas considera?s, uma concess? embora trate o espectador como um beb?e 6 meses de idade que ?acilmente distra? por cores intensas e altos ru?s, Quarteto Fant?ico 2 representa uma experi?ia consideravelmente melhor do que o filme original - o que, na pr?ca, ? mesmo que dizer que ?#8220;melhor” ser abocanhado por um le?faminto do que por dois. Escrito por Don Payne e Mark Frost e dirigido por Tim Story (o mesmo incompetente do cap?lo anterior), o longa traz seus quatro her?em meio a uma crise dupla: ao mesmo tempo em que um misterioso Surfista Prateado cruza a Terra deixando um rastro de destrui?, o casal Reed Richards (Gruffudd) e Sue Storm (Alba, bela e inexpressiva como de h?to) n?consegue sequer concluir uma cerim? de casamento sem ser interrompido por uma nova amea?ao planeta ou fotografado pelos paparazzi. Assim, logo Sue demonstra ter d?as sobre o relacionamento, j?ue os programas de fofoca e seus pr?os poderes a fazem lembrar de como ?iferente (se eu fosse Richards, romperia o noivado assim que descobrisse que a garota ?iciada nas vers?ianques de TV Fama, Superpop e afins).
Nestes momentos iniciais, o filme at?onsegue divertir com alguns coment?os (?os) sobre o culto ?celebridades e a mentalidade capitalista que leva Johnny Storm (Evans) a encher seu uniforme com as marcas de patrocinadores (algo que o filme rouba descaradamente de Her?Muito Loucos). Infelizmente, n?demora muito at?ue os roteiristas voltem ao seu campo de especialidade e passem a investir em piadinhas envolvendo arrotos, espinhas invis?is, trope?s e outros exemplos t?cos da com?a sem imagina?. Como se n?bastasse, o filme – assim como o original – realmente parece se julgar engra?inho, sem perceber que suas tiradas (e Johnny Storm em especial) s?apenas chat?imas (a exce? diz respeito ?oa participa? de Stan Lee). Al?disso, a trilha sonora ?a de John Ottman busca desesperadamente salientar o tom de cada cena, oscilando entre o draminha e acordes engra?inhos de acordo com a exig?ia do roteiro.
Sem conseguir transformar seus her?em figuras interessantes, o roteiro falha tamb?ao n?coloc?os diante de situa?s capazes de gerar tens?ou mesmo o menor ind?o de amea?real. Ali? para tentar criar algum tipo de envolvimento do p?co com a a?, o p?imo Tim Story tenta desajeitadamente adicionar algum componente humano ?eq?ia em Londres, quando foca (aparentemente ao acaso) um pai de fam?a entre as dezenas de pessoas amea?as pelo ataque do Surfista – como, se assim, pass?emos magicamente a nos importar com o destino daquela multid? (Vale dizer, ainda a respeito desta seq?ia, que ningu?parece se importar com o fato de militares norte-americanos desembarcarem no meio da capital inglesa como se fossem donos do peda?– prova definitiva de que Tony Blair ainda era o primeiro-ministro brit?co quando o Surfista passou por ali.)
Contando com momentos que beiram o rid?lo (em determinado instante, o Surfista usa a pr?a barriga como uma esp?e de suporte multim?a para contar sua triste hist? para Sue, talvez percebendo que a mocinha n?seria inteligente o bastante para acompanhar o relato sem ver as figurinhas), Quarteto Fant?ico 2 ainda denuncia sua mentalidade de macho adolescente ao mostrar o cientista Reed Richards gabando-se, diante do militar caricatural vivido por Andre Braugher (uma vers?“adulta” do jogador popular da escola), por estar transando com uma mulher gostosa, acabando de transformar Sue em um mero objeto sexual, num trof?a ser exibido na “Sala dos Garanh? – algo que (queimem seus suti? feministas!) deixa a mo?excitada.
Mas ?if?l cobrar maturidade de um roteiro que n?consegue sequer manter sua historinha simpl? sob controle: como, por exemplo, Richards descobre que os planetas visitados pelo Surfista s?destru?s “oito dias depois”? E por que o tal Galactus cruza o universo devorando civiliza?s? E por que o Dr. Destino volta a usar sua m?ara sem mais nem menos a partir do final do segundo ato? (Resposta: justamente para marcar o in?o do terceiro ato!) E se a id? de levar Johnny a combinar v?os poderes ?nteressante, ?urioso notar que a dupla de roteiristas se esquece de que o Dr. Destino iria absorv?os imediatamente ao ser tocado pelo Tocha, o que transforma toda aquela seq?ia num imenso furo da trama.
Por? talvez a maior decep? do filme seja mesmo o Surfista, que, apesar de impecavelmente criado atrav?de ?os efeitos digitais, revela-se uma figura desinteressante e sem personalidade que, com a dublagem zen-morph?ica de Laurence Fishburne, se transforma num personagem simplesmente mon?o.
Ou talvez ele tenha apenas ficado embara?o ao descobrir que os animadores aparentemente o constru?m a partir de um molde do corpo do namorado da Barbie (esqueci o nome do boneco), castrando-o de maneira impiedosa – algo que deve ter se tornado ainda mais humilhante para o pobre Surfista ao descobrir que seu inimigo n?era ningu?menos do que o pr?o Homem El?ico.
Hum… talvez o filme tenha um subtexto psicol?o mais sutil do que eu havia imaginado… Est?vendo como a Cr?ca pode ser um exerc?o interessante para qualquer obra?